segunda-feira, dezembro 04, 2006

Rótulos

- Olha lá, aquela não é a Paulinha???

- Qual Paulinha, pá?

- A bicos!


Passaram tantos anos desde o tempo do liceu e a rapariga ainda é conhecida como “Paula bicos” e mesmo sem querer e mesmo que não concordemos com rótulos, é inevitável, numa ou outra altura acabamos por trata-la da mesma forma que os outros que condenamos.

Quando temos 13, 14, 15 anos conseguimos ser terríveis uns para os outros e alimentamos boatos lançados (muitas vezes sem fundo nenhum de verdade) que podem ser marcantes para o resto da vida. Se as alcunhas já são más, aquilo que as provocou (boato ou não) pode ser bastante humilhante.

A Paula é apenas uma daquelas miúdas que dizem, tem má fama, ou tinha naquela altura, está casada e tem filhos, mas o rótulo mantém-se, pelo menos para quem a conhece desde aquela altura, mesmo que não seja por maldade e mesmo que não saiba sequer se aquilo tem algum fundamento, acaba por distingui-la desta forma.

Eu a dada altura fui amiga da Paula e se querem saber nunca me preocupei muito se aquelas histórias eram ou não verdade. Para quê? E se realmente ela gostava de variar? E se gostava de fazer bicos? Pior são as que gostam e se mostram horrorizadas perante uma conversa acerca, apenas porque têm de manter a postura de menina pudica!
E quem é que me diz que esta alcunha não surgiu por outro motivo qualquer que não o sexual?? O pai dela podia na altura trabalhar na fábrica de fogões!? Nunca se sabe!!

O que sei é que para mim foi sempre uma amiga leal e eu nunca vi nenhuma atitude condenável da parte dela e quanto á alcunha, ela era superior a isso tudo e ignorava!

Agora assim de repente lembrei-me daquelas outras duas miúdas, a “coça o grelo” e a “cheira mal do cu” e dou-me por muito feliz por ter sido só chamada algumas vezes na escola de “Susana banana” e “montanha-russa” porque realmente há alcunhas muito humilhantes, e na adolescência ser catalogada assim, não deve ser fácil!

Se há coisa que me irrita é que se avaliem as pessoas por actos isolados e que se pense que estar uma vez com ela é suficiente para saber que tipo de pessoa é!

Por exemplo comigo acontece frequentemente acharem que sou uma doida (literalmente) porque me mostro sempre divertida, e como percebo isso e como as pessoas que formam essas opiniões, definitivamente não sabem nada de mim e como não gosto de gente sonsa, costumo fazer pior!
A diferença para mim, está toda naquelas pessoas que mesmo assim mostram interesse em saber como sou na realidade e não fazem juízos de valor baseados em nada!

E destas pequenas coisas se constroem amizades, ou não!

16 comentários:

  1. Nem toda a gente tem bom olho clínico para avaliar o que cada um é, pela minha parte, algumas pessoas causam-me urticária imediata e depois passa (ou não), outras causam-me um certo receio e depois passa (ou não), mas (ao contrário do que há uma pessoa que garante a pés juntos), já não me interessa muito o que quem não me conhece pensa...são eles que perdem.

    Beijocas

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  2. Mas ainda alguém tem dúvida que há por aí muita menina com ar angélico e púdico e que depois são putas até à quinta casa? e quando digo putas não o refiro pelo aspecto sexual mas pelo facto de na maioria das vezes serem mal formadas e reçabiadas.

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  3. Ou não... «Bicos»?... talvez fosse das borbulhas! :)=

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  4. Maria, sorte daqueles que têm o tal olho clinico e nunca se enganam! Eu cá pelo sim pelo não, não arrisco... bate sempre ao lado!

    Beijinho

    Asdrubal tudo bem, eu quero acreditar que não! E tens toda a razão quando dizes que não é tão só do aspecto sexual!

    Klatuu o embuçado, olha que vai daí até era disso mesmo!!!

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  5. E o importante é mesmo ser-se superior a isso tudo e ignorar...o que, acredito, em determinadas idades possa não ser tarefa fácil...
    Por mim....estou-me bem a lixar p'ras alcunhas...minhas ou dos outros!

    Bjs

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  6. Essas coisas dos rótulos dá cá um trabalho a retirar. Acredita que falo por experiência. Há um grupinho de pessoas com quem me dei muito em tempos que achava porque eu saia á noite, gostava de andar por ai a curtir que a minha vida resumia-se a isso. Chegavam a não me convidar para lanchar por acharem que eu apenas aceitava compromissos á noite. para eles eu era o gajo party, louco, que conhecia as discotecas todas do pais e os porteiros. Um rótulo que ainda hoje se mantém. Cada vez que nos vemos, porque já fomos da mesma turma as perguntas acabam por ir parar ai, se por acaso disser que fui sair na noite anterior. A frase que ouço é logo: tu nunca mudas. Sempre o mesmo. Só saias á noite! É tão irritante. Parece que esquecem quem é realmente a pessoa com que estão falar naquele momento! grrrrrrrrrrr

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  7. Há alcunhas destrutivas mesmo muito muito más o maximo que me chamaram até hoje foi Benedito o que pelo motivo que foi... foi extremamente agradavel de ouvir e aqueles 2 anos naquela equipa foram uma alegria!

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  8. Montanha russa? Porque? Conta! LOL

    Como te compreendo na parte da doida...

    "E destas pequenas coisas se constroem amizades, ou não!" Também me parece que seja :)

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  9. Eu própria tb por vezes ponho carimbos nas pessoas, quem não o faz? Mas é mais brincadeira que outra coisa, ironizar e levar aos extremos as coisas e as pessoas é que as torna hilariantes, e melhor,faço o mesmo comigo!!
    Mas nunca sou cruel nessas atitudes nem ofendo as pessoas com isso,tenho o cuidado de tentar não julgar precipitadamente ninguém.
    Já agora,não percebi essa do Paula Bicos..

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  11. Na escola onde andei a dos bicos era a "sónia"!!!

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  12. Na minha escola havia a russa cavalona, mas a supra sumo era a moçoila que ia no barco e apontavam como tendo ido parar ao hospital com uma garrafa de 7UP. Não era simpático...

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  13. sim Ana, mas nem sempre se consegue ignorar. Lá diz o ditado "quem não se sente, não é filho de boa gente"... por muito que se mostre indiferença, há coisas que acabam sempre por custar.
    Beijo*

    ***

    Hugo, as pessoas acham que tens uma vida de morcego, só pode!
    há pessoas muito limitadas!

    ***

    Miguel, Benedito??

    ***

    Jorge, se prometeres que não vomitas eu conto!
    (aposto q esperavas uma resposta deste tipo! atento como és...)

    ***

    Bolacha Maria, a Paula foi rotulada de "paula bicos" porque segundo parece era habilidosa com a boca (boato, o mais certo, não sei) e essa alcunha resistiu até hoje...

    ***

    João Silva, a Sónia da minha escola tinha sete calças! ihihihihihihihihii
    (as coisas de que me lembraste)

    ***

    Rafeiro perfumado, essa da garrafa também já deve ser um mito hurbano! Todas as escolas tiveram uma "garrafinhas"!!! Mas tens razão, não é simpático....

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  14. Não há dúvida que os miúdos conseguem ser crueis!!
    sinto-me sortuda: não tive alcunhas.

    Na maioria das vezes acontece saborear o descobrir de uma pessoa com a qual inicialmente não simpatizei. E olha que tenho cada surpresa mais agradável!!!

    os pré-conceitos apenas nos tornam rigidos, perdendo o que de melhor os outros nos podem dar.

    de qualquer forma digo inúmeras vezes: nem toda a agente serve para meu amigo. nisso sou exigente.

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  15. Por acaso nao tive alcunhas. No ciclo preparatorio bem que me tentaram chamar "sardinha" por causa das sardas no nariz mas nao colava la muito bem, nem ia com o meu nome e o ppl desistiu num instante.

    Mas havia uns giros... o "bock"... a "catota" ehehehhe

    Claro que a joana puta era mesmo puta... ainda por cima barata! ehehhe... e a Maria Mamas tanto se exibiu que acabou por ter um filho do dono do cafe aos 14 anos... ahahaah A Marta Perdigota ainda hoje continua tao nogenta e asquerosa como era... e o "mangerico" cortou o cabelo e deve ter perdido a alcunha. O lampiao ja nao usa casacos de penas fluorescentes, mas continua igualmente piroso... a malta tinha algum jeitinho para as alcunhas!

    So me fazes rir agora a pensar nos tempos estupidos do liceu!!! ihihih... pareco maluquinha aqui a rir sozinha em publico :)

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  16. Oh Niki, pá!Estragaste-me a piada do comentário!!!!Eu percebi, estava só a brincar!!!!

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