segunda-feira, novembro 10, 2014

Corrida Sempre Mulher

E se vos disser que ontem não foi a primeira vez que participei numa corrida de competição?

Por volta dos 6 anos o meu pai inscreveu-me no clube desportivo do bairro, porque achou que era giro eu participar nas provas de atletismo. Se eu até gostava de ir treinar diariamente com todos os meus amigos, quando chegava o dia de prova, era um pesadelo!

Não conseguia dormir nada de jeito na noite anterior e quando chegava o momento da partida, a ansiedade, o medo, a tensão, aquele mix de sensações desagradáveis tomava conta de mim.

Não sei dizer exactamente durante quanto tempo fiz parte da equipa do clube do bairro, mas sei que ao recordar todos esses anos e todas as provas em que participei, só me vejo ali, minúscula no meio dos outros, calções azuis, t-shirt branca, meias até ao joelho, mão direita a tentar em vão atenuar a dor de burro que nunca me largava e sempre, mas sempre, o último lugar! Uma vez fiquei em penúltimo porque o Rui torceu o pé e ficou para trás.

Agora que penso, acho que o meu “problema” com corridas tem a ver com este meu passado triste e recalcado!

Quando a Fundação Axa Corações em acção se associou à “Corridasempre mulher”, nem pensei duas vezes em participar. Convidei amigas veteranas na coisa para participarem comigo, mas tenho que vos confessar que o fiz na altura apenas por dois motivos:

A causa que esta corrida abraça e mais uma oportunidade de passar tempo com amigas.


Obrigada Convencida por ela inscrevi-nos na corrida de competição, mas juro que achei sempre que ia morrer 500 metros depois de começar, ou até levar ali mesmo um empurrão e ficar esbardalhada a um canto!


Minutos antes da partida, vi a Sandra que foi mãe há apenas um mês, com uma energia, uma boa disposição e uma paixão pela corrida que se notava a léguas! Pessoas apaixonadas inspiram-me e esta miúda tocou-me mesmo! 


Sem que ninguém tivesse percebido, voltei a sentir a ansiedade, o medo, a tensão e a novidade da emoção e vontade de estar ali, que fui disfarçando enquanto cantava com o Tony "sonhador, sonhador, mas ao menos a sonhaaarrrrrr"!

Quando anunciaram a partida, só me lembro de ouvir a Márcia e a Sara irem dizendo:

"Não podes parar agora, tens mesmo que correr até passar esta parte, faz esta passada..." e soube, tive a certeza, que não ia parar e que ia conseguir chegar ao fim!

Durante todo o percurso corremos as três juntas e a motivação delas foi importante. A Márcia por exemplo usou um argumento que foi de extrema importância: 

"Estás a ver o rabo desta? Temos que passar este rabo grande!"

A chuva no final acabou por saber bem e apesar de ter chegado ensopada até aos ossos, cheguei feliz! É que 5 km a correr e sem parar, para quem corre habitualmente pode parecer só aquecimento, mas para mim foi muito, tanto mais que 5 km!









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