Ando há quase dois anos a caminho da oficina com o meu carro.
Entre tentarem
descobrir o problema que o levava a perder força e parar, ia, regressava aparentemente
bem e rapidamente voltava à casa de partida, porque afinal não era aquela peça
que levou e vai de tentar outra, e de voltar a pagar com dinheiro cada vez mais
escasso, mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
O mais longo dos internamentos do ZE teve uma duração
aproximada de 4 meses, em que se viveu da lei do desenrasca que até incluiu
carro emprestado e que entretanto, sorte das sortes, teve também um contratempo com despesa associada, mas
o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
Os elevadores dos vidros avariaram e andei muito tempo a
abrir a porta para pagar portagens,cheguei mesmo a rir-me do ridículo, porque o importante
é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
A bateria foi trocada duas vezes, na linha da assistência em
viagem já me tratam por tu, não me recordo de todos os nomes das peças que
foram substituídas, mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
Muito dinheiro (que não tinha) depois e com um carro que
insistia em deixar-me na mão, o último internamento no mesmo “hospital” incluiu a única coisa que faltava substituir, o motor que trouxe a surpresa chamada
dívida de cerca de 2000€ (dinheiro que não tinha na altura e muito menos tenho
agora), mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
No dia da criança o meu querido carro que aparentemente estava finalmente recuperado, voltou a parar e a deixar-me na mão com três crianças a bordo, mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
Desesperada, agora sozinha, sem a mínima hipótese de trocar de carro e cansada de andar a encher o cu a mecânicos ladrões, procurei ajuda noutro lado para perceber de uma vez por todas o que é preciso para ficar definitivamente livre deste filme de terror e o orçamento ronda os 1000€, mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
Vou buscar o carro, pagar o valor da despesa de diagnóstico e estacioná-lo à porta porque não há dinheiro para arranjar, mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
Não faço ideia como vou gerir a logística miúdas-escola-trabalho quando me faltar a ajuda milagrosa que tenho tido da única pessoa que tem estado realmente ao meu lado e a quem nunca serei capaz de agradecer o suficiente, mas o importante é ter saúde, o resto logo se vê, não é?
Por tudo isto e muito mais que fica a faltar dizer, de facto a saúde é o mais importante, mas há alturas em que ela, a saúde mental e emocional principalmente, depende apenas e só do dinheiro.