quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Fevereiro o mês do amor ❤ ❤




Eu não sei escrever. Adjectivo muito, não respeito as regras gramaticais, exagero na pontuação, chego mesmo a subverter todas as normas que nos foram ensinadas. Eu sou arquitonta, mais tonta que arquitecta, e com muito gosto. Eu não sei escrever mas sei falar de amor, do meu amor, do amor dele, do nosso amor. 

Recuemos, então, ao longínquo ano de 2000 e a uma coisa esquisita denominada por “internet relay chat”. Não sabem o que é? Nem eu sabia! Tinha terminado uma relação muito longa quando um amigo achou que eu precisava de me distrair e rir, rir muito. Ele instalou-me a tal coisa esquisita no computador a que vulgarmente chamávamos de mIRC. E assim foi. O mIRC estranhou-se e depois entranhou-se. Ele trouxe-me risos, irritações, frustrações, conquistas e o João. Um João, apenas mais um João e que se transformaria no João até chegar ao meu João. Foram horas intermináveis de conversas sobre tudo e sobre nada, de músicas, de sítios, de cheiros, de locais, uma foto minha de perfil trocada, uma foto dele de goggles, o meu número de telefone, o número de telefone dele, encontros que nunca marcámos (não sabemos explicar porquê) e um dia o fim. O afastamento de ambos. O João foi-se embora. Eu fui-me embora. Ambos pertencíamos ao mundo real, aquilo não era para nós. Estava na altura de regressamos aos amigos de carne e osso. E o tempo passou: um dia, uma semana, 1 mês, 1 ano… 3 anos sem existir “nós”. Sem João. Sem Sara.

No dia 29 de Maio de 2003 vou com uma amiga ao último concerto no velhinho estádio de alvalade – 15.000 pessoas (segundo a organização) e o meu telefone vibra. Um SMS a dizer: “acabaste de passar por mim”. Como?!? João?!? Tu, 3 anos depois?!? Nem consigo imaginar a minha cara (ele não só conseguia como a viu, pois estava mesmo atras de mim, e segundo o mesmo disse que o empurrei, eu nego até que me mostrem filmagens do momento). Respondi logo “desculpa mas deves estar a fazer confusão”, e a resposta veio no segundo imediato “camisola preta, calças curtas pretas, sabrinas pretas (duvido que ele tenha escrito sabrinas mas era o que eu calçava no momento) e um blusão de ganga à cintura”. Toda eu tremia, estava histérica e curiosa, debitei 3 anos de conversas à minha amiga e ela (mais histérica do que eu) disse para eu lhe ligar (sim pessoas demorei 3 anos a ligar ao homem da minha vida e???). Desligado. Escusado será dizer que eu já não queria saber de Festival algum. Estava ali, isolada, no meio da multidão, perdida nos meus pensamentos. 

Marcámos encontro naquele bar, junto à praia, bem perto do local onde viríamos a morar mais tarde (mas isso nós ainda não sabíamos). Encontrámo-nos e tivemos a confirmação de que já estivéramos apaixonados, mesmo sem nos vermos. Tudo regressou, os anos foram apagados e nós ainda estávamos apaixonados. Namorámos. Terminámos. Voltámos a namorar. Voltámos a terminar. Tentámos mais uma vez. Terminámos mais uma vez… de vez. Não valia a pena insistir. Eu não suportava ser amada assim. Eu não sabia dar valor àquele amor simples e despretensioso. Eu era complicada (ainda sou, menos, mas sou). Não entendia o porquê de me tratares tão bem, o que teria eu feito para merecer tamanha dádiva. Não podia ser tão simples ser feliz e assustei-me. Fugi… e tu já não vieste atrás. Seguiste a tua vida… eu segui a minha vida. Voltaste a amar. Eu (achei que) voltei a amar. Tu desiludiste-te. Eu quase me destruí. Quase me destruíram. Quis desistir de mim… 
quase morri. 

Um dia (não interessa qual) interroguei-me: o que estava eu a fazer? Eu já vivera o melhor amor de todos. O amor sem filtros, com gargalhadas fáceis, com sorrisos tontos como só conseguem ser os sorrisos dos apaixonados. Estava na hora de lutar, de te trazer de novo para a minha vida, de te provar que estava finalmente preparada para o nosso amor. Mas tu… estavas com medo (que corajoso foste em voltar a arriscar). Deste luta. Muita luta. Achei que te tinha perdido para sempre. E sempre era tanto tempo que não conseguia nem imaginar o que seria viver sem ti. A vida foi generosa comigo, tu foste generoso comigo e voltaste a entregar-te a mim, a nós. Hoje, casados, felizes, percebemos que apesar de doloroso este foi o caminho que traçamos para nós. Eu tinha de me perder para te voltar a encontrar. E tu tinhas de me deixar partir para me voltares a ter. Eu não sei escrever mas sei falar de amor, do meu amor, do amor dele, do nosso amor.

***

Toda a gente conhece a Fio a Pavio, mas se por acaso andar por aí alguém mais distraído, o caminho é por AQUI ou por AQUI!

12 comentários:

  1. Muito bom. Por vezes o problema é mesmo quando estamos nessa fase em que nos perdemos e não sabemos como sair delas. Mas estas histórias de amor, ajudam-nos a ter esperança!

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  2. Uau !!! <3 . Lindo !!!! … Adorei a vossa história João & Sara !!!! Resultado de um amor simples e puro , que a vossa vida, continue a transbordar de amor !! <3

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  3. Uau !!! <3 . Lindo !!!! … Adorei a vossa história João & Sara !!!! Resultado de um amor simples e puro , que a vossa vida, continue a transbordar de amor !! <3

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    1. Obrigada Lina assim é o nosso desejo é como diz uma amiga minha... Que seja eterno enquanto durar ❤️

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  4. Valeu a pena tudo isso nao valeu? Agora juntinhos o amor ainda sabe bem melhor. Ainda bem que tiveste coragem em partilhar com o mundo a tua historia. Beijo Sara.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Na passada segunda-feira o meu namorado terminou comigo. Eu pensava que era para sempre, sabes? Nunca tinha encontrado ninguém que me entendesse tão bem, que lutasse tanto por mim. Mas eu sou difícil e achei que ele andava seco, quando, na verdade, eu apenas tinha medo de o perder. E perdi. Dói-me como se me estivessem a cortar. Está a ser muito difícil superar isto. Eu amo-o como nunca amei ninguém e agora perdi-o por coisas de nada. Mas a tua história inspirou-me. Obrigada por partilhares e muitas felicidades. Beijinhos grandes de um coração despedaçado.

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    1. Nao devemos dar nada por perdido... Só a morte representa o fim e eu estive muito perto dela. Hoje sou feliz com o João, o João é feliz comigo, somos felizes os dois... A tua felicidade chegará um dia! Se amas luta por isso e deixa-te amar. Beijinhos coloridos para ti.

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